Com a Palavra.
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
Arrebentação
A Arrebentação
Soa marcando o tempo, que tento ignorar.
Retiro o calendário da parede
Tiro do pulso o relógio
Em vão.
Semana a semana
Mês a mês
Ano a ano
O tempo escoa
Como areia entre as mãos
Contudo permaneço praia
Onde reside emoção.
Monograma
Sinto o sopro da palavra em torno
E me inspiro a
Bordar um monograma à mão
Alinho emoções ponto a ponto
Em duas letras
Condenso sensações
segunda-feira, 21 de março de 2022
Poesia
Onde nasce a poesia?
De que se vale a poeta
Para estancar a agonia?
Das lutas travadas?
Das guerras perdidas?
Das vontades em sulcos
Nas terras aradas?
Nasce ao ritmo das ondas
Batendo sem cessar
Nasce como cura
Repetindo o coração
Em seu pulsar
Nasce como vazante
Extravasando letra a letra
Aquilo que a alma
Acumulou e que requer
Desapegar
terça-feira, 30 de junho de 2015
Salva.
Mil vezes agradeço à palavra, a mim apresentada em salva da mais pura matéria, embora não tenha feito dela - palavra- o bom uso que merece.
Disse em outro escrito que a palavra é norma, mas que é também alforria. Liberta sou continuamente pelo verbo que me salva da total inaptidão.
Sou verbo e carne. Verbo e pele. Verbo e vísceras. Verbo e células. Sou verbo e emoção, principalmente.
O silêncio, para alguns, sábio, para mim é remédio amargo. Engulo de uma só vez e travo. Faço exceção, somente, ao silêncio partilhado em sagradas ocasiões.
Quero mesmo sorver palavras doces. Derretê-las como pedras de açúcar que são.
Quero-as em vermelho e preto. Em branco que é paz; em verde que é esperança e é sorte; em céu azul; em lilás.
Desejo o vocábulo como chocolate quente ou café aquecendo língua, garganta e coração.
A palavra pode levar-me à dor, mas, principalmente, cura-me de todas as dores do mundo.
À palavra, minha ou de outrem, concedo a mais sincera gratidão.
Evelyne Furtado
Natal, 11 de abril de 2011.
Disse em outro escrito que a palavra é norma, mas que é também alforria. Liberta sou continuamente pelo verbo que me salva da total inaptidão.
Sou verbo e carne. Verbo e pele. Verbo e vísceras. Verbo e células. Sou verbo e emoção, principalmente.
O silêncio, para alguns, sábio, para mim é remédio amargo. Engulo de uma só vez e travo. Faço exceção, somente, ao silêncio partilhado em sagradas ocasiões.
Quero mesmo sorver palavras doces. Derretê-las como pedras de açúcar que são.
Quero-as em vermelho e preto. Em branco que é paz; em verde que é esperança e é sorte; em céu azul; em lilás.
Desejo o vocábulo como chocolate quente ou café aquecendo língua, garganta e coração.
A palavra pode levar-me à dor, mas, principalmente, cura-me de todas as dores do mundo.
À palavra, minha ou de outrem, concedo a mais sincera gratidão.
Evelyne Furtado
Natal, 11 de abril de 2011.
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